Oficial da PM na Bahia é acusado de receber R$ 119 mil de miliciano em um dia
Oficial da PM na Bahia é acusado pelo MP de receber R$ 119 mil de miliciano em um único dia.

O oficial da Polícia Militar na Bahia, tenente-coronel Luiz Augusto Normanha de Carvalho, está no centro de uma denúncia do Ministério Público da Bahia (MPBA) por supostamente receber R$ 119 mil de um miliciano em apenas um dia, 11 de dezembro de 2023. Segundo o MP, o pagamento foi feito por meio de nove transferências bancárias, sendo sete de R$ 15 mil e duas de R$ 7 mil, o que levanta suspeitas pela quantia e frequência.
Quais são os detalhes das transferências financeiras?
Além do valor citado, o MPBA aponta que, entre setembro de 2021 e abril de 2025, o oficial teria recebido R$ 286 mil em pagamentos mensais regulares de R$ 15 mil do mesmo miliciano, totalizando 43 transações. Também foram identificados R$ 41.700 repassados à esposa do PM em 15 lançamentos, além do pagamento da mensalidade da faculdade de medicina da filha do casal, no valor de R$ 11.662,51, e o custeio do combustível do carro da família.
O que diz a investigação sobre a origem dos recursos?
A quebra de sigilo bancário revelou que os rendimentos oficiais do tenente-coronel variavam entre R$ 184 mil e R$ 328 mil por ano, mas as movimentações bancárias indicam créditos superiores a R$ 950 mil em 2022 e R$ 1,3 milhão em 2023. A esposa dele não declarou renda desde 2017, mas sua conta movimentou valores 12 vezes maiores do que o declarado, levantando suspeitas de uso para disfarçar valores possivelmente oriundos de corrupção.
Qual é o envolvimento do oficial com a milícia?
O tenente-coronel foi preso em 7 de outubro durante a operação Terra Justa, que investiga sua ligação com o crime organizado. As investigações indicam que ele atuava na escala e logística dos seguranças armados da milícia, discutia turnos e propunha negócios relacionados à segurança. Também teria interferido em conflitos agrários para favorecer a milícia contra comunidades tradicionais.
Qual a versão do oficial e a resposta do MP?
O oficial alegou que os valores recebidos seriam por serviços de brigada de incêndio, mas o MPBA rejeitou essa justificativa por falta de documentos que comprovem e por incompatibilidade com áudios e outras evidências. O órgão também destacou que essa tese não explica despesas pessoais como a mensalidade da faculdade da filha e combustível.
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